“À propósito, te agradeço. Não por ter me magoado e ido embora como se nada tivesse acontecido, mas por ter me ensinado a ser mais forte. E menos idiota.”
“— Confesse.
— O quê?
— Você morre de saudades.
— Não, não é assim.
— Como é, então?
— Eu vivo de saudades.”
“Mas eu não quero que todos me conheçam. Não quero que todos ouçam meu grito, nem o meu silêncio. Minha dor é uma coisa particular, sabe? Meu choro é meu, meu e só meu. Não quero que ninguém me impeça de chorar. A minha dor é minha e só. As músicas que ouço são gravadas em discos arranhados e fitas sujas, mas são minhas e eu não espero que alguém goste. Meus remédios não tem receita e médico algum recomenda, mas eu também não espero que alguém os tome. O que guardo em meu mundo, não quero que alguém mexa. Meus tênis estão todos sujos e eu não tenho vontade de lavá-los. Todos os meus cigarros parecem quebrados, mas eu sei emendá-los e fazê-los soltar fumaça. Não venha reclamar das minhas coisas, se elas são minhas. Meu cabelo parece bagunçado demais, meus olhos parecem manchados, meu rosto está sempre com alguns machucados, minhas roupas são sem forma. E eu não me importo. Eu não me importo.”
—
Não, não me importo. Ana. (via
27-06)